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A natureza chora

Ainda está repercutindo, entre as pessoas mais sensatas, a retirada das árvores e a colocação de arquibancadas. A conversa é de que, causa estranheza a justificativa apresentada pelo prefeito de Santa Cruz das Palmeiras, Fenando Stocco, ao afirmar que todas as árvores cortadas na Avenida, no ano passado, estariam doentes. E é difícil acreditar que, justamente todas, alinhadas lados a lado, tenham apresentado problemas ao mesmo tempo. Quando uma decisão dessa magnitude é tomada, o mínimo que se espera é a apresentação de laudos técnicos detalhados, assinados por profissionais habilitados, além de um diálogo aberto com a população.
A população não é ingênua. Questionar não é criar polêmica, é exercer o direito de entender decisões que impactam diretamente a paisagem urbana, o meio ambiente e a qualidade de vida da cidade. Árvores não são apenas elementos decorativos: oferecem sombra, reduzem a temperatura, contribuem para a qualidade do ar e fazem parte da identidade visual do município. A retirada em massa, sem explicações consistentes e amplamente divulgadas, naturalmente gera desconfiança.
Afinal, acreditar que todas adoeceram simultaneamente exigiria mais do que boa vontade, exigiria muita imaginação. E quando a narrativa apresentada não convence, o que cresce é a sensação de que a verdade não está sendo dita por completo.
O que torna a situação ainda mais delicada é o fato de que, um ano depois, no mesmo local onde as árvores foram retiradas de forma drástica, foram instaladas arquibancadas para o Carnaval. Estruturas que, ao que tudo indica, poderiam ter sido montadas sem a necessidade da supressão total das árvores. E mais: nem todas as arquibancadas foram ocupadas pelo público presente, o que reforça a impressão de que talvez tenha faltado planejamento adequado.
Fica a pergunta que ecoa nas conversas de rua: era realmente inevitável a retirada de todas as árvores? Houve estudo técnico comparando alternativas? A população foi ouvida antes da decisão? Transparência não é favor, é obrigação de quem administra recursos e espaços públicos.
O que mais preocupa não é apenas a retirada das árvores, mas a sensação de que explicações frágeis são apresentadas como verdades absolutas. Falta clareza na comunicação. Falta disposição para o debate público. Falta, sobretudo, respeito com cidadãos que têm discernimento para analisar fatos e formar opinião própria.
Alguns ainda acreditam sem questionar. Outros, por conveniência ou receio de possíveis retaliações, preferem silenciar. Mas há também aqueles que observam, refletem e cobram, não por oposição política, mas por responsabilidade com a cidade e com as futuras gerações.
Governar é, antes de tudo, prestar contas. É agir com responsabilidade, planejamento e transparência. E, acima de tudo, é respeitar a inteligência da população, que merece respostas claras, fundamentadas e honestas.