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Furto de energia: por que não é “gambiarra” e como isso afeta toda a cidade

Quando se fala em furto de energia elétrica, ainda é comum tratar a prática como algo “menor”, uma simples irregularidade ou até uma forma de “economizar” fora das regras. Esse entendimento, porém, é equivocado. O furto de energia é crime e, além disso, representa riscos reais à segurança das pessoas e prejuízos que atingem toda a coletividade.
De forma objetiva, o furto de energia ocorre quando há fraude para impedir que o consumo real seja corretamente medido e cobrado. Isso pode acontecer por meio da adulteração de medidores, rompimento de lacres, manipulação interna dos equipamentos ou ligações clandestinas. Não se trata apenas de descumprimento contratual, mas de uma conduta ilícita, com repercussões penais e administrativas, cuja apuração exige critérios técnicos específicos.
Um aspecto que muitas vezes passa despercebido são os riscos envolvidos. Instalações elétricas feitas fora dos padrões de segurança aumentam significativamente as chances de curto-circuito, aquecimento excessivo da fiação, choques elétricos e incêndios. Em estabelecimentos comerciais, o perigo é ainda maior: há circulação constante de trabalhadores e consumidores, além do uso contínuo de equipamentos que elevam a carga elétrica. As consequências podem ser graves e, em muitos casos, irreversíveis para pessoas e patrimônio.
Além do risco imediato, existe um impacto coletivo menos visível, mas igualmente relevante. A energia desviada ilegalmente não “desaparece”. Ela é gerada, distribuída e consumida sem a devida medição, o que desorganiza o sistema elétrico, provoca perdas e contribui para o aumento de custos. Esses prejuízos acabam refletindo na tarifa e na qualidade do serviço prestado, ou seja, a irregularidade praticada por poucos impõe um ônus que recai sobre muitos.
Por essas razões, o enfrentamento do furto de energia exige atuação integrada. A fiscalização é realizada com base em procedimentos técnicos, conduzidos pela concessionária responsável e, quando necessário, com apoio de perícia especializada para análise de medidores e instalações. Havendo indícios de fraude, a Polícia Civil atua na apuração criminal, garantindo que os fatos sejam investigados com rigor técnico, documentação adequada e respeito ao devido processo legal.
É importante destacar que o combate efetivo ao furto de energia não depende apenas de repressão, mas, principalmente, de prevenção e informação. Naturalizar “gambiarras” é abrir espaço para acidentes e para a banalização de uma prática criminosa. A regularidade do serviço público e a segurança coletiva começam com escolhas cotidianas: evitar intervenções clandestinas, contratar profissionais habilitados para instalações elétricas e utilizar os canais oficiais para comunicar suspeitas de irregularidades.
A eletricidade é indispensável para a vida moderna e, justamente por isso, exige responsabilidade. Tratar o tema com seriedade é uma forma direta de proteger vidas, preservar patrimônios e fortalecer um serviço essencial para o funcionamento da cidade.
Thiago Rubim / Delegado de Polícia Civil – Estado de São Paulo