Por que falar de morte?

Alguns leitores já perceberam e, por isso, me indagam por que na quase totalidade dos textos que escrevo, aí incluídas poesias, faço referência à “morte”. Seria eu um apaixonado pela tanatologia? A resposta é negativa, até porque tanatologia é o estudo científico da morte, e, sinceramente, nunca tive interesse em fazer qualquer tipo de pesquisa nesse campo.

A verdade é que, ainda criança, ao presenciar cenas de tristeza e dor em velórios de pessoas conhecidas, comecei a ficar angustiado por não conseguir entender por que vínhamos ao mundo para algum depois deixá-lo.

No espaço entre o nascimento e a morte vivemos momentos de alegria, de sofrimento, de busca de sabedoria, de consecução de bom emprego para dar uma vida confortável à família, enfim, procuramos viver como se nunca fôssemos morrer. E o que presenciamos nesse intervalo de tempo? Presenciamos gente morrendo ao nascer, crianças, adolescentes e jovens dando o último suspiro em decorrência de uma doença ou assassinato. Presenciamos também pessoas idosas, de nós muito queridas, partindo e deixando um vazio enorme em nosso coração.

Diante de tudo isso, pus-me a questionar: Se um dia tudo acaba, por que, então, fazer o possível e o impossível para realizar-se somente com bens materiais? Por que tanta ânsia pelo poder, pelo status social? Por que tanta arrogância? Por que tanta maledicência a ponto de destruir a dignidade do semelhante? Por que declarar guerra se é possível viver em paz?

Se nós fizéssemos todos os dias um minuto de reflexão sobre esses tipos de atitude, descobriríamos, pela morte, o verdadeiro sentido da vida. Afinal é por ela – a morte – que nos chegará o julgamento. E é claro que, como todos nós sabemos, Deus pedirá contas dos bens imateriais (espirituais) que conquistamos, não dos bens materiais (casa e carros bonitos, dinheiro no banco, barcos, etc.), pois estes ficam por aqui e aqueles levamos conosco.

Importante lembrar que cada amanhecer nos dá, ao mesmo tempo, um dia a mais e um dia a menos de vida, o que implica afirmar que a cada dia ficamos velhos para o tempo e cada vez mais jovens para a eternidade. Por isso, não podemos nem devemos deixar de dar o devido  valor à morte, pois é ela a ponte que permite passarmos da vida terrena para a celestial.

Tenhamos, pois, sempre em mente que chegará o momento final de nossa existência e, então, com certeza, esse pensamento fará de nós pessoas comprometidas em fazer cada vez mais o bem sem olhar a quem. Diz a Bíblia (Eclesiastes 7:1): “O bom nome é melhor do que um perfume finíssimo, e o dia da morte é melhor do que o dia do nascimento”.

Estão aí os motivos que me fazem estar sempre falando e escrevendo sobre aquela que quando vem se transforma em saudade, na sua mais pura essência, e que atende pelo nome de “morte”.

Francisco Bueno

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